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Dose de Sabedoria #8

Métodos de diagnóstico por imagem para ATM

            A articulação temporomandibular (ATM) é responsável por interagir a base do crânio com a mandíbula, permitindo a realização dos movimentos de abertura, fechamento, lateralidade, protrusão e retrusão. A ATM é particularmente complexa porque possui duas cavidades articulares sinoviais separadas que devem funcionar através do sincronismo de seus componentes ósseos, sua cadeia muscular e a oclusão dental.

            Anatomicamente consiste nos seguintes componentes:

Vistas ATM

Índices Anatômicos

1 – Cabeça da mandíbula (crista longitudinal)

2 – Processo Condilar

3 – Espaço Articular inferior

4 – Limite articular anterior

5 – Cavidade articular superior

6 – Arco Zigomático

7 – Fossa Média do Crânio

A decisão de solicitar radiografias baseia-se nos seguintes princípios:

– Casos em que a causa da dor e disfunção não possa ser compreendida e nos quais o cuidado conservador, a curto prazo, não há alívio nos sintomas;

– Dúvida no diagnóstico antes da instituição de terapia;

– Necessidade de documentação legal;

– Preparo pré-operatório de cirurgia de disco e após uso de uma forma terapêutica sem sucesso.

Indicações:

– Alterações na forma e/ou do contorno da cabeça da mandíbula ou cavidade articular;

– Alteração na posição da cabeça da mandíbula;

– Traumas;

– Processos degenerativos.

Principais Métodos de Diagnóstico por imagens:

– Radiografias Panorâmicas: Serve para uma visão geral e devem ser utilizadas no exame

preliminar, antes de utilizar outras técnicas de diagnóstico por imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.  As informações funcionais sobre a excursão da cabeça da mandíbula não são fornecidas. Além disso, apenas grandes alterações na morfologia do tubérculo articular podem ser visualizadas, devido ao resultado da sobreposição das imagens da base do crânio e do arco zigomático

Técnica Transcraniana: Geralmente, três incidências são obtidas: em repouso, em abertura normal e em abertura máxima. Esta tomada radiográfica pode ser usada para examinar fraturas com deslocamento e grandes alterações ósseas nas artrites, particularmente na porção lateral do côndilo. Este tipo de projeção limita-se ao fato de produzir uma imagem com grande sobreposição dos ossos cranianos, além da necessidade de se utilizar cefalostato específico para padronização, geralmente de complexo posicionamento.

Tomografia computadorizada cone beam: As principais indicações da TCFC incluem a avaliação estrutural dos componentes ósseos da ATM, determinando precisamente o local e a extensão das alterações ósseas: fraturas, neoplasias, anquiloses; alterações degenerativas erosivas, pseudocísticas, osteofíticas; presença de remodelações ósseas assintomáticas; avaliação de condições pós-cirúrgicas; hiperplasias dos processos condilar, coronóide e estiloide; persistência do forame de Huschke; assim como calcificações intra-articulares derivadas da condromatose sinovial ou artrite metabólica. A vantagem é ausência de sobreposição dos ossos do crânio e a desvantagem é o pouco detalhamento sobre tecidos moles, não sendo possível a visualização do disco articular.

             Assim, no caso a seguir refere-se de uma paciente encaminhada para realização de TCFC para avaliação dos componentes ósseos da ATM. Observou-se que em oclusão (imagem 1) que as cabeças da mandíbulas apresentou-se em centralizada nas cavidades articulares e com grande diminuição do espaço inter-articular; enquanto que em abertura  bucal (imagem 2) as cabeças das mandíbulas direita e esquerda apresentaram aquém e bem aquém, respectivamente, dos limites articulares anterior, com diminuição do espaço inter-articular, sugestivo de limitação na abertura bucal.

Imagem 2 – ATM em posição de oclusão

atm 1

Imagem 1 – ATM em posição de abertura bucal

atm2

            O diferencial na análise foi a reconstrução em 3D do tecido ósseo com espaços aéreos e tecidos moles com auxílio do programa EVOL DX (imagens a baixo).

 

            Vale ressalvar que a ressonância magnética tem sido o método de padrão ouro para estudo dos processos patológicos da ATM envolvendo os tecidos moles, como disco articular, ligamentos, tecidos retrodiscais, conteúdo sinovial intracapsular, musculatura mastigatória adjacente, além da integridade cortical e medular dos componentes ósseos.

Dose de Sabedoria por: Dra Ana Luiza Riul, Dr. Luis Fernando Jardim e Dra. Patrícia Jardim

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